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Devo realizar adubação de fósforo em plantas de cobertura?



A utilização de plantas de cobertura é importante para a qualidade física, química e biologia do solo. Conforme destacado pelo Dr. Luiz Tadeu Jordão, pesquisador e professor da ESALQ, é importante ressaltar que:


  • Qualidade física: Possibilita a redução da densidade do solo com a produção de raízes ao longo do perfil do solo, aumentando a fração orgânica, e também aumentando a porosidade, tanto de macro como micro poros, que são locais de estoque de água e oxigênio.

  • Qualidade química: Existe a ciclagem de nutrientes, as raízes de plantas de cobertura são mais agressivas e desenvolvidas em maior profundidade e vão captar nutrientes que foram percoladas em camadas mais profundas, captando e reciclando os nutrientes, levando-os à parte aérea, que posteriormente a dessecação estarão presentes na palhada residual de cobertura.

  • Qualidade biológica: Promovem o aumento da atividade biológica no solo, aumentando a quantidade de carbono no solo proveniente do aumento da quantidade de raízes, que são matéria orgânica, e estas raízes ao longo do perfil de solo são alimentos para microrganismos, promovendo um ambiente benéfico para as atividades biológicas.

Devo realizar adubação de fósforo em plantas de cobertura?

Voltando a nossa pergunta inicial, segundo Dr. Luiz Tadeu Jordão, a adubação desse sistema é uma estratégia acertada, pois a aplicação na entressafra vai potencializar os benefícios citados acima, possibilitando uma maior formação de raízes e gerando assim mais biomassa e maior descompactação deste solo, e essa potencialização vai proporcionar maior reciclagem de nutrientes e também aumentar consideravelmente a atividade biológica, então adubação de planta de cobertura é uma excelente estratégia. Em relação ao nutriente Fósforo, que possui baixa mobilidade no solo, a planta de cobertura vai absorver esse nutriente e ele será redistribuído tanto na parte aérea como para as raízes, aumentando assim a concentração de fósforo ao longo do perfil de solo, essa adubação é uma excelente estratégia de manejo, aumentando a disponibilidade de fósforo em profundidade no perfil de solo.


Desta forma, o produtor ao optar pelo plantio e adubação de plantas de cobertura, consegue obter benefícios para a qualidade do solo, pois estas acumulam nutrientes no material vegetal e os liberam durante sua decomposição, contribuindo assim para a melhoria da fertilidade do solo e estímulo a atividade biológica. Desta forma, esses benefícios têm grande importância para o sistema de produção pela ciclagem de nutrientes como N, P, K, Ca e Mg. Ressalto a importância das avaliações locais, já que existe forte influência das condições edafoclimáticas no acúmulo no desenvolvimento das plantas de cobertura que, por sua vez, influenciam o acúmulo de nutrientes. Exemplo disso é o estudo realizado por HEIZ (2011), avaliando a cultura do nabo forrageiro no MT, onde encontraram acúmulos de N, P e K superiores e os nutrientes como Ca e Mg inferiores a mesma prática realizada no Paraná. De acordo com RIBEIRO (2011) a diversidade de espécies de plantas de cobertura na rotação de culturas e no consorcio de cultivos condiciona o manejo eficiente do solo para a máxima exploração de seu potencial produtivo.


ROSSETTI (2012) observou melhorias nos atributos físicos da camada superficial do solo e aumento nos teores de matéria orgânica, a qual é fonte de nutrientes para as culturas, pela utilização de plantas de cobertura em comparação ao pousio. Em trabalho realizado por ALCANTARA (2000) constataram maiores acúmulos dos elementos N, K, Ca e Mg na superfície do solo pelo uso de leguminosas em comparação ao uso de gramíneas e atribuiu este efeito a maior capacidade de reciclagem e mobilização de nutrientes nestas variedades.


Conforme material publicado pela EPAGRI, Leandro do Prado Wildner, do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf) ressalta que essa prática é um dos pilares do Sistema Plantio Direto. Depois de completar o ciclo vegetativo, elas ficam sobre o solo, formando uma camada de palha. Na sequência, o plantio das culturas é feito sem revolver o solo. As plantas de cobertura podem ser usadas em qualquer lavoura, sempre em sistema de rotação com as culturas econômicas. “A recomendação é que na sequência imediata de uma colheita seja feito outro plantio, de preferência com plantas de outras famílias”.


Benefícios na lavoura:


  • Nematoides e doenças O cultivo dessas plantas ainda pode ajudar a reduzir nematoides e doenças na lavoura. Destaque para a Crotalária que é uma planta leguminosa de rápido crescimento, que tem sido utilizada no controle dos nematoides (pequenas larvas que atacam as plantas) e na fixação biológica de nitrogênio. As plantas de cobertura de um modo geral podem ter um efeito benéfico em supressão de patógenos de solo. É que muitas plantas de cobertura, por não serem atacadas pelas mesmas doenças das culturas comerciais, acabam interrompendo o ciclo de vida desses agentes e reduzindo a presença deles na lavoura.

  • Herbicida natural Durante a decomposição da palha, são liberados alguns compostos orgânicos que têm potencial de inibir a germinação das sementes ou o crescimento das espécies daninhas – ou seja, funcionam como proteção. “Compostos orgânicos presentes na palha de algumas espécies já foram isolados e deram origem a novos herbicidas”. Ressalto também que essa palhada age impedindo que os raios solares atinjam a superfície do solo, e reduzem o potencial de germinação das sementes de plantas daninhas. A palha ainda funciona como barreira física ao crescimento dessas plantas. “As plantas de cobertura também competem por água, luz e nutrientes com as plantas daninhas; algumas crescem muito rapidamente e acabam suprimindo parte as plantas daninhas”.

  • Nitrogênio O nitrogênio é um nutriente fundamental para a maioria das culturas agrícolas. Ele está presente na atmosfera e as plantas são as únicas responsáveis na natureza por incorporá-lo ao solo. “As plantas da família das leguminosas, ou Fabaceae, têm a capacidade de fixar nitrogênio do ar no solo por meio da simbiose com bactérias do solo”. “Já se sabe que outras plantas também têm essa capacidade – exemplo disso é o próprio milho e outras gramíneas. Dessa maneira, os microrganismos do solo retiram o nitrogênio do ar, transformam-no em substâncias orgânicas e repassam às plantas que as incorporam ao seu tecido vegetal”. Dessa forma, a inserção de plantas de cobertura no sistema e sua adubação com fósforo deve ser pensada ou contabilizada como um investimento para a cultura sucessora, trazendo melhores condições de solo para o seu desenvolvimento e promovendo melhores rendimentos na cultura. Essa prática sendo contabilizada e entendida como investimento para a safra seguinte, reduz a percepção de que será uma operação extra ou onerosa ao fluxo de caixa, e sim, uma ação visando maior produtividade a safra seguinte.


 

Material elaborado com informações prestadas pelo Dr. Luiz Tadeu Jordão e com base nos artigos da UFSC, UFSM (Fabricio Tondello Barbosa) e EPAGRI (Leandro do Prado Wildner).


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